Uma das maiores referências da história do Jiu-Jitsu brasileiro, Xande Ribeiro abriu o jogo sobre sua experiência com a Terapia de Reposição de Testosterona (TRT). Durante participação no podcast apresentado por Josh Button, o multicampeão revelou que experimentou o tratamento durante quatro meses, mas decidiu interrompê-lo após não se adaptar aos efeitos que sentiu no próprio corpo.
“Eu tomei uma vez, foi uma temporada em que fiz isso por uns quatro meses. Me senti péssimo, sabe, me senti inchado. As pessoas tocavam no meu pescoço e eu me engasgava um pouco mais rápido”, explicou o atleta. A experiência, então, o levou a tomar uma decisão clara: “Então, decidi dizer: ‘Ei, isso não é para mim, certo?'”.
Apesar de não ter gostado da experiência, Xande Ribeiro reconheceu que a reposição hormonal pode ter utilidade em determinadas situações. O brasileiro afirmou que consideraria voltar a recorrer ao tratamento caso percebesse mudanças significativas em sua disposição, humor, força ou vida sexual. Ainda assim, ressaltou que não vê a TRT como uma solução que deva ser adotada indiscriminadamente.
“Mas com certeza, se chegar a um ponto em que eu não esteja mais me divertindo na cama, ou esteja sentindo falta de algo, talvez esteja de mau humor ou me sinta mais fraco, sabe, então definitivamente eu faria isso”, analisou.
Aos 45 anos, o brasileiro também questionou a ideia de que a reposição de testosterona seja indispensável para atletas mais velhos continuarem competindo em alto nível. Ao falar sobre a possibilidade de enfrentar competidores mais jovens, admitiu que talvez precisasse de algum tipo de intervenção hormonal para alcançar o mesmo rendimento, mas demonstrou não ter interesse em seguir esse caminho sem compreender melhor o assunto.
“Acho que poderia competir como adulto, mas não acho que teria o suficiente a menos que fizesse TRT ou algo do tipo… Não quero fazer isso a menos que… Não acho que tenha conhecimento suficiente neste momento, aos 45 anos, para competir com jovens.”
Xande Ribeiro critica uso precoce da TRT e defende mudanças no estilo de vida
Durante a conversa, Xande destacou que fatores como alimentação inadequada, estresse elevado, noites mal dormidas e pouca conexão com a natureza podem prejudicar a produção natural de testosterona. Na visão do brasileiro, é necessário observar esses aspectos antes de considerar uma intervenção hormonal.
“Acho que existe toda uma gama de coisas que podemos fazer psicologicamente e fisicamente no dia a dia, em nossos hábitos, que podem nos preparar para um bom processo de TRT”, explicou.

O multicampeão também demonstrou preocupação com atletas muito jovens que recorrem à reposição hormonal enquanto submetem o corpo a rotinas extremas de treinamento. Para ele, a busca por resultados rápidos pode levar a decisões precipitadas e comprometer a saúde a longo prazo.
“O que me incomoda é ver garotos de 20, 22 anos achando que precisam treinar 10 horas por dia para serem campeões e usarem isso. Para mim, é aí que reside o problema”, enfatizou.
Outro ponto abordado foi a relação entre testosterona e cortisol, hormônio associado à resposta do organismo ao estresse. Xande considera que o controle do estresse é um elemento fundamental para a saúde e acredita que níveis elevados de cortisol podem prejudicar o equilíbrio hormonal.
“O maior problema da testosterona talvez nem seja a alimentação, mas sim os níveis de cortisol. Se seus níveis de cortisol estiverem altíssimos, você não consegue fazer nada”, observou.
O brasileiro ainda criticou a tendência de buscar soluções farmacológicas imediatas sem investigar os fatores que podem estar por trás de determinados problemas. Sua própria estratégia para preservar a saúde e a longevidade está mais relacionada à recuperação do que ao aumento do volume de treinamento.
“Se as pessoas se concentrarem no que é necessário para um ser humano realmente se desconectar e se recuperar, acho que é aí que chegamos”, concluiu.
Embora reconheça os avanços da medicina e os possíveis benefícios da TRT quando existe indicação, Xande Ribeiro deixou claro que sua prioridade é manter hábitos que favoreçam a recuperação e o equilíbrio do organismo. Para o multicampeão na arte suave, cuidar do corpo vai muito além de treinar mais ou recorrer a recursos hormonais.
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