* O mês de janeiro carrega consigo o simbolismo da folha em branco. Para muitos, é um período de metas e renovação; para a campanha Janeiro Branco, é o momento vital de colocar a saúde mental em pauta. No universo das lutas, onde a força física e a dureza costumam ser protagonistas, falar sobre o “lado de dentro” ainda é um desafio. No entanto, a trajetória de grandes campeões, como a multicampeã Bia Mesquita, nos mostra que a mente é o verdadeiro centro de treinamento.
O Estigma da Vulnerabilidade Historicamente, o ambiente das artes marciais foi construído sob a égide da invulnerabilidade. O lutador aprende a não demonstrar dor ou cansaço. Contudo, a saúde mental começa justamente no reconhecimento das nossas fragilidades. Em recente entrevista ao canal Recorte da Luta, Bia Mesquita revelou um aspecto humano raramente visto em atletas de elite: o trabalho psicológico para lidar com o “medo do sucesso”. Mesmo no auge, a mente pode criar armadilhas, e o acompanhamento profissional torna-se o diferencial entre o colapso e a vitória.
A Mente “Faixa Branca” Um dos conceitos mais poderosos do Janeiro Branco é a permissão para recomeçar. Bia exemplifica isso ao migrar para o MMA. Mesmo sendo uma lenda viva do Jiu-Jitsu, ela teve a humildade de se colocar novamente na posição de aprendiz, ou como ela mesma define, de “faixa branca”. Essa disposição mental de esvaziar o copo para aprender algo novo é um dos maiores exercícios de saúde mental que podemos praticar. Aceitar que não sabemos tudo e que o processo de evolução é contínuo alivia a pressão sufocante da perfeição.
Blindagem e Hiperfoco a saúde mental no esporte também passa pelo controle de estímulos. Bia descreve sua entrada no UFC como um “túnel”, uma blindagem psicológica que a permitiu focar apenas no objetivo, ignorando a pressão externa. No dia a dia, essa técnica se traduz na nossa capacidade de filtrar o excesso de informações e ruídos que geram ansiedade. O tatame nos ensina a estar presentes, no “aqui e agora”, uma prática fundamental para o equilíbrio emocional.
A Rede de Apoio: O Suporte Além do Tatame ninguém luta sozinho. A saúde mental é fortalecida pelos vínculos. A importância dos pais e de mentores como Letícia Ribeiro na vida de Bia reforça que o acolhimento é a base de qualquer performance sustentável. O Janeiro Branco nos convida a olhar para quem está ao nosso lado. No Dojo, isso se traduz no cuidado com o parceiro de treino, no suporte do professor e na criação de um ambiente onde o bem-estar emocional seja tão valorizado quanto a técnica de finalização.
A conclusão que neste Janeiro Branco possamos aprender com as artes marciais que a maior vitória não acontece quando o braço é erguido no final de uma luta, mas quando temos a coragem de cuidar da nossa mente diariamente. Como bem disse Bia Mesquita: “O sucesso é para quem não desiste”, e não desistir de si mesmo é o primeiro passo para uma vida emocionalmente saudável. Que sua mente seja sua melhor aliada em 2026.
Por Bianca Fonseca

