Após quatro cirurgias e 17 meses afastado, Meregali retorna no UFC BJJ 5 e abre o jogo: ‘Voltar já é uma vitória’

Nicholas Meregali enfrentaria Declan Moody no UFC BJJ 7, na próxima quinta-feira (2) (Foto: Reprodução/Instagram) Nicholas Meregali enfrentaria Declan Moody no UFC BJJ 7, na próxima quinta-feira (2) (Foto: Reprodução/Instagram)

Após passar por quatro cirurgias, ficar um ano sem treinar e 17 meses longe das competições, Nicholas Meregali está pronto para retomar a carreira no grappling profissional. Nesta quinta-feira (12), o campeão mundial de Jiu-Jitsu será uma das atrações do UFC BJJ 5, onde enfrenta o atleta Nicholas Maglicic.

Apesar de já ter competido três vezes no formato do UFC Fight Pass Invitational, o duelo marca a estreia de Meregali no UFC BJJ, que adota regras e uma “arena de lutas” diferentes. Ao falar sobre o significado desse retorno depois de um período tão turbulento, o gaúcho explicou o peso pessoal do momento.

“Para mim representa uma vitória (estar de volta), independente do resultado da luta em si, para mim já é uma vitória ter superado essas quatro cirurgias, um ano sem treinar e 17 meses sem competir. Foi um período de muita adrenalina, muito estresse, muita energia pesada dentro de mim mesmo, que eu tive que superar para hoje estar aqui saudável e lutar”.

Ainda sobre o processo de recuperação e o impacto das cirurgias em sua carreira, Nicholas Meregali detalhou as dificuldades físicas e emocionais que enfrentou até ter o seu retorno confirmado, reforçando a importância do desafio superado para a sua própria confiança. O faixa-preta foi direto ao descrever esse período e a maneira como enxerga a própria trajetória.

“Tudo isso foi uma prova de quão fod* eu sou. Sei que já falei sobre isso algumas vezes e a galera fala: ‘tu não pode falar que é fod*’, mas quatro cirurgias, 17 meses sem lutar… Eu fui para um nível de debilidade física assustador. Eu estava frágil, magro, sem força, sem tesão de lutar. Eu ter superado isso só prova o quão fod* eu sou e o tanto de amor que eu tenho pelo o que faço”, relatou Nicholas, que seguiu:

“Lutar e vencer vai ser uma cereja do bolo, mas pisar no tatame e voltar a competir já é a minha vitória. Assinar o contrato com o UFC já é uma vitória. ‘Ah, o Nicholas foi lá e perdeu’. Não é o que eu quero, mas depois de quatro cirurgias, fiquei todo desgraçado… Se eu superei isso, o caminho das vitórias vai voltar naturalmente. Eu sei que isso vai acontecer. Eu tenho habilidade, sou bom no Jiu-Jitsu, só preciso agora deixar fluir, me sentir confortável e as coisas vão acontecer”.

Ao projetar a estreia no UFC BJJ, Nicholas Meregali também comentou sobre o ambiente do evento e o padrão profissional da organização, destacando que, apesar do tempo afastado, encontrou a mesma estrutura que conheceu nas edições do UFC Invitational. Na avaliação do atleta, o nível de organização é um fator motivador para quem compete em alto rendimento.

“A empresa (UFC) continua a mesma, os funcionários são os mesmos. Estou há um tempão sem lutar e o pessoal segue ali. O profissionalismo e a proatividade… É um evento que você não sente que está competindo, porque eles são muito profissionais. Eu estava até lembrando nos últimos dias, que o Dana (White) fala muito que é um cara ‘agressivo’, que gosta de gente competente. Você vai trabalhar com os caras e não sente que está trabalhando. Eles te puxam de um lado para o outro e, quando você vê, já fez 25 tarefas diferentes em 1 hora, um negócio assustador. Isso dá um tesão de trabalhar e te motiva ainda mais”.

Do ponto de vista técnico, o gaúcho ressaltou as diferenças entre o antigo formato do Invitational e o atual UFC BJJ, especialmente no que diz respeito às regras e à dinâmica de combate dentro da arena em formato de “bowl”. Segundo ele, a adaptação já vem sendo trabalhada nos treinos, mas a verdadeira medida só aparece na competição.

“A diferença do UFC Invitational para o UFC BJJ é que a regra muda muito, né? Ao invés de uma luta extensa, são três rounds de cinco minutos, acho que esse é o principal. E o ‘bowl’ também, né. É uma coisa nova, algo que eu trabalhei muito em casa, todos os dias fazendo três rounds de cinco minutos. Eu me adaptei, mas se adaptar em casa, no treinamento, é totalmente diferente do que se adaptar na competição. Então, agora é ganhar experiência, competir e ver o que vai acontecer”.

Ao relembrar o período mais delicado da recuperação, Meregali explicou que o maior desafio foi lidar com a perda temporária de identidade como atleta de alto rendimento, além de reconstruir a confiança física e mental. Para ele, paciência e disciplina foram pilares fundamentais nesse processo.

“Eu perdi a minha identidade, né? Eu era o Nicholas campeão, lutador, forte, saudável, bonito, confiante e eu me vi numa posição de muita vulnerabilidade. Quatro cirurgias, magro, sem força, baixa autoestima, fora de forma… Isso mexeu muito comigo e me colocou num teste muito grande. Precisei de duas coisas: paciência e disciplina. E entender que o corpo precisa de tempo, não dá para acelerar. Não existe medicamento, tratamento, fisioterapia, não existe nada que acelere o processo. No final das contas a gente é igual um cachorro, somos animais. A gente é igual uma vaca, tem um tempo na natureza para se recuperar”.

Em seguida, o faixa-preta completou explicando como transformou esse período em reconstrução pessoal e profissional: “Então eu tive que ter muita paciência, e para isso você precisa aceitar sua posição. Eu tive que me auto aceitar do jeito que eu estava e tive que ter disciplina para encontrar maneiras para sair da posição que eu estava e construir uma versão melhor. Eu tive 17 meses em que consegui mudar minha dieta, lancei um website, mudei meu estilo de preparação física, lançar uma academia e mais uma série de coisas. Eu tentei usar minha disciplina para expandir em áreas que eu não tinha condição de trabalhar antes por conta de estresse, correria, lutas, então eu estava deixando essas coisas de lado. Esses dois pontos, paciência e disciplina, foram os principais.”

Sobre o confronto contra Nicholas Maglicic, Meregali analisou o estilo do adversário, destacou os padrões de jogo baseados em Wrestling e jogo de costas, e afirmou estar preparado para se adaptar ao cenário da luta. Na visão do gaúcho, trata-se de um atleta em ascensão, com potencial para se tornar referência no esporte.

“O meu adversário é um cara que joga muito no Wrestling, de dois ou um, no bodylock e também para trabalhar as costas do adversário. Ele tem esses padrões bem aparentes e gosta de trabalhar a meia-guarda, que são situações bem padrões do nosso time, então estou acostumado com isso. Eu estou bem focado nesse caminho que ele pode seguir e eu vou me adaptar com o cenário que a gente estiver enfrentando. É um atleta talentoso, um faixa-preta de um ano e meio, se não me engano, e que fez um trabalho muito bom nas faixas coloridas. Ele tem tudo para virar uma das referências no esporte, ele tem estatura, tem um Jiu-Jitsu pra frente, tem uma personalidade bacana… Estou bem curioso para ver o desfecho dessa luta”, analisou.

Sem competir desde o ADCC 2024, Nicholas Meregali vai enfrentar Nicholas Maglicic no próximo dia 12 de fevereiro, no UFC BJJ 5 (Foto: Reprodução)

Por fim, ao falar sobre o contrato com o UFC e os próximos passos após o retorno, Meregali deixou claro que busca criar uma sequência de lutas ainda no primeiro semestre, desde que se sinta bem física e mentalmente. O planejamento, segundo ele, passa por manter regularidade competitiva e voltar a se testar em alto nível.

“Eu tenho o contrato de algumas lutas com o UFC. Foi uma decisão que tomei depois de algumas semanas de conversa até assinar o contrato. Se tudo der certo nessa luta de retorno, eu me sentir bem, conseguir a vitória e eu sentir o tesão de seguir competindo, eu pretendo lutar nesse primeiro semestre pelo menos mais duas vezes. Em março e em abril. É uma conversa que eu já tive com o UFC, não porque eu já tenho uma visão mais para frente, mas eu acho que, como atleta, eu preciso criar um pouco de sequência, ser ativo, estar lutando e viajando, fazendo camp. Então, o ideal seria lutar em março, abril e em junho.”

Ao abordar suas motivações dentro do cenário de competição atualmente, o faixa-preta resumiu o momento como um desafio pessoal de superação e afirmação: “Acho que a minha motivação é pessoal, não é mais profissional. Eu quero mais num sentido pessoal. Quero voltar a competir, quero provar para mim mesmo, após me recuperar de cirurgias graves, que eu posso voltar a ser o número 1 do mundo, mesmo com todos esses empecilhos nesses dois anos praticamente sem competir. Eu acho que é muito mais um sentimento pessoal do que um desejo profissional”, finalizou.

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