O ADCC, principal torneio de grappling e Jiu-Jitsu sem quimono do mundo, anunciou um reajuste relevante em sua premiação para a edição de 2026, que será realizada em setembro, na Polônia. O aumento reforça o processo de profissionalização da modalidade, mas também reacendeu discussões sobre a valorização financeira dos atletas.
De acordo com os dados divulgados, o montante total distribuído saltou para cerca de US$ 362 mil, superando com folga os aproximadamente US$ 230 mil pagos nas edições anteriores. O novo modelo prevê US$ 20 mil para campeões das categorias masculinas, US$ 50 mil para o vencedor do absoluto e outros US$ 50 mil destinados ao campeão da superluta, tradicional duelo entre o campeão da superluta da edição anterior e o vencedor do absoluto do ADCC.
Apesar do avanço, a diferença de premiação entre homens e mulheres no ADCC continua sendo um dos principais pontos de crítica. Nas categorias femininas, as campeãs devem receber cerca de US$ 10 mil, enquanto medalhistas de prata e bronze terão valores ainda menores, cenário que mantém o debate sobre equidade no esporte em evidência.

Nos bastidores, a pressão por melhores bolsas não é recente. Atletas de elite como Gordon Ryan e Craig Jones vêm se posicionando de forma contundente sobre o tema nos últimos anos. Ambos defendem que o crescimento global do grappling exige uma reestruturação financeira mais agressiva, capaz de atrair novos talentos e consolidar carreiras de longo prazo.
Gordon Ryan, por exemplo, já chegou a sugerir premiações na casa de centenas de milhares de dólares por divisão, enquanto Craig Jones frequentemente destaca a ausência de pagamentos por participação – prática comum em outras organizações – como um fator limitante para os atletas.
Esse debate ganhou ainda mais força com o surgimento de eventos alternativos, como o Craig Jones Invitational, que chamou atenção ao oferecer cifras milionárias em sua proposta inicial. A iniciativa elevou o patamar das discussões e passou a servir como referência quando o assunto é remuneração no grappling.
Diante desse cenário, o aumento anunciado pelo ADCC representa um passo relevante, mas ainda visto por parte da comunidade como insuficiente frente ao potencial econômico da modalidade. A tendência é que a concorrência entre eventos e a pressão dos atletas continuem impulsionando mudanças estruturais nos próximos anos, em busca de um modelo mais sustentável e atrativo para o alto rendimento.

