A estreia de Rebeca Lima no UFC BJJ 5, realizado no último dia 12 de fevereiro, em Las Vegas (EUA), foi marcado por uma atuação dominante. A faixa-preta brilhou ao finalizar Taylor Hishaw com um Estima Lock no segundo round, consolidando-se como um dos principais destaques do evento e reforçando seu potencial dentro do circuito sem quimono.
Responsável direto pela preparação e pelo agenciamento da carreira da atleta, o treinador Bruno Bastos conversou com o “Recorte da Luta” e analisou a performance, destacando o equilíbrio entre estratégia, postura e maturidade competitiva como fatores determinantes para o resultado positivo. Em sua avaliação, o domínio técnico de Rebeca Lima foi o ponto-chave para a vitória.
“Fiquei satisfeito em todos os sentidos. A Rebeca seguiu a estratégia, teve postura para o estilo que o UFC BJJ pede e demonstrou maturidade competitiva para estar nesse novo ambiente. Acredito que a luta tenha sido decidida no fato de a Rebeca ter um Jiu-Jitsu superior à adversária dela. Foi uma estreia perfeita”, elogiou Bruno Bastos.
O resultado ganha ainda mais relevância ao considerar a trajetória recente da atleta, que passou por um período de transição e ajustes após resultados irregulares. Fundador da LEAD BJJ e da Bastos BJJ Midland, Bruno ressaltou que a evolução não se deu apenas no aspecto técnico, mas principalmente na estrutura de treinos e no desenvolvimento mental, fundamentais para a mudança de desempenho.
“Acredito que o ambiente que ela encontrou na minha escola, somado à estrutura de treinos e ao trabalho na parte mental que fizemos, dela entender quem ela é como mulher e atleta, além de entender o potencial dela também, foram o grande diferencial nessa virada de chave. Claro que fizemos ajustes técnicos, mas ninguém muda 14 anos de Jiu-Jitsu em quatro, cinco meses de treino. Seguimos trabalhando e ela vai continuar evoluindo”, projetou.
A relação entre treinador e atleta também aparece como um dos pilares desse crescimento. Bruno Bastos destacou o histórico de convivência com Rebeca Lima e a importância do suporte fora dos tatames, especialmente durante períodos difíceis, como o processo de recuperação de lesões.
“Eu conheço ela desde que ela tinha 15 anos, sendo adversária de alunas minhas. Fizemos amizade em campeonatos com o passar do tempo e, eventualmente, ela se tornou uma das atletas que eu agencio. Ela passou por cirurgia e acredito que o fato de eu dar suporte nesse momento, fortaleceu nosso relacionamento. Acredito que a base seja a confiança. Ela acredita, por ver que realmente estamos trabalhando no crescimento dela, e ela está vendo os resultados também. Não existe confiança sem cuidado e sem resultados. Acredito que todo atleta precisa de um mentor”, avaliou o professor.

Além do trabalho individual, Bruno Bastos também comentou sobre a filosofia aplicada em sua equipe, que busca priorizar o desenvolvimento pessoal como base para o alto rendimento esportivo. Segundo ele, essa abordagem tem sido determinante para formar atletas consistentes em diferentes níveis de competição.
“Nós não somos uma equipe de competição, mas acredito que o foco no desenvolvimento pessoal dos alunos seja um fator primordial para o desempenho, desde as crianças até os masters, passando pelos atletas profissionais”.
O crescimento de eventos profissionais também foi tema, com Bastos destacando o papel do UFC BJJ na evolução do mercado do grappling. Para o treinador, a estrutura e o modelo adotados pela organização representam um avanço significativo na profissionalização da modalidade.
“Eu adoro o formato do UFC BJJ e adoro trabalhar com o UFC BJJ. Vejo que a Cláudia Gadelha e o Stephen Tecci estão muito empenhados no desenvolvimento desse produto. Estão trazendo a estrutura do UFC para o Jiu-Jitsu. Acredito que o UFC BJJ esteja dando um ‘upgrade’ na profissionalização do Jiu-Jitsu. Todos tem o seu lugar de importância dentro da comunidade do Jiu-Jitsu, e o UFC BJJ definitivamente é o lugar para atletas que entendam que o UFC é uma empresa de entretenimento, que está investindo no Jiu-Jitsu como produto para isso. Então, sim, essa é uma nova fase no mercado”, exaltou.
Com a vitória consolidando o nome de Rebeca Lima no circuito, o planejamento para a sequência da carreira já está em andamento. A prioridade é manter a atleta ativa em eventos profissionais, sem descartar competições tradicionais que ainda fazem parte de seus objetivos pessoais.
“Estamos negociando a próxima luta dela no UFC BJJ. Se não for acontecer agora, ela vai fazer a Seletiva do ADCC, pois é um desejo pessoal dela. O mesmo com relação ao Mundial da IBJJF: se não houver luta marcada, ela vai no Mundial, pois é um desejo pessoal dela ganhar esse evento como faixa-preta. Acredito que prover oportunidades profissionais para os atletas, mas também entender seus desejos pessoais, seja muito importante na parte de agenciamento e também como coach”, finalizou Bruno Bastos.

