A segunda edição do Hype Fighting Brazil, realizada em São Paulo, no último dia 8 de abril, reuniu nomes relevantes do cenário das lutas em um card híbrido que combinou combates de grappling e Boxe sem luvas. Mesmo com a presença de atletas de destaques ligados ao UFC, como Deiveson Figueiredo e Jean Silva – que terminaram seus respectivos confrontos empatados -, o grande destaque técnico da noite ficou por conta de João Miyao.
Especialista no jogo de guarda e conhecido por sua precisão técnica, João Miyao protagonizou um momento raro ao finalizar Dennis Oliveira com uma variação pouco vista do Twister. A aplicação chamou atenção não apenas pela eficiência, mas também pela adaptação da posição clássica, demonstrando leitura avançada de transições e controle corporal.
O Twister tradicional, técnica criada por Eddie Bravo, é uma torção de coluna executada a partir das costas do adversário, com controle de uma das pernas e rotação forçada da parte superior do corpo. Por envolver pressão direta na coluna cervical e lombar, o golpe é proibido em competições regidas pela IBJJF, o que contribui para sua raridade no cenário competitivo tradicional.
Na execução apresentada por João Miyao, no entanto, houve uma adaptação estratégica. Ao permitir espaço para que o oponente girasse parcialmente o tronco, o multicampeão no Jiu-Jitsu criou uma armadilha posicional. Em vez de seguir o padrão clássico, o faixa-preta utilizou o braço para pressionar lateralmente a cabeça, gerando pressão na coluna em um ângulo diferente – configuração conhecida como “Scottish Twister”, ou Twister escocês em tradução para o português.
Do ponto de vista técnico, a variação aplicada evidencia conceitos avançados de controle e antecipação. Ao induzir a reação do adversário, João Miyao não apenas manteve o domínio da posição, mas também transformou uma possível fuga em oportunidade de finalização, algo que exige alto nível de sensibilidade e timing.
A execução reforça o nível de sofisticação presente no grappling profissional atual, onde adaptações e variações técnicas têm se tornado cada vez mais determinantes. Em um evento que propõe formatos alternativos e maior liberdade de regras, finalizações como essa tendem a aparecer com mais frequência, ampliando o repertório visível ao público e elevando o debate técnico dentro da modalidade.

