O caso envolvendo o professor de Jiu-Jitsu Melqui Galvão ganhou novos contornos nesta semana após denúncias de que o treinador estaria mantendo contato externo mesmo estando preso. Segundo informações apresentadas pela deputada estadual Alessandra Campêlo, Melqui teria utilizado um celular dentro da unidade prisional em Manaus para realizar videochamadas e ameaçar atletas ligadas à equipe BJJ College.
A denúncia foi feita nesta terça-feira (12), durante sessão na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). De acordo com a parlamentar, um policial supostamente vinculado às forças especiais teria facilitado a entrada do aparelho celular na prisão, permitindo que o investigado mantivesse comunicação com pessoas fora da cadeia.
Ainda conforme relatado por Alessandra Campêlo, Melqui Galvão teria participado de chamadas com duração superior a 20 minutos. Durante as conversas, ele supostamente tentou intimidar testemunhas e oferecer vantagens em troca de mudanças nos depoimentos prestados às autoridades. Entre as propostas citadas estariam apoio financeiro e benefícios relacionados à academia, em uma tentativa de enfraquecer as acusações e facilitar uma eventual soltura.
Diante da gravidade das novas informações, a deputada solicitou a conversão da prisão temporária em preventiva. Para ela, as supostas ações representam risco concreto às vítimas e ao andamento das investigações: “Quando ele diz no vídeo que em 30 dias vai sair e que tudo ficará bem, a vítima pensa: ‘e o que vai acontecer comigo depois?’ Isso desencoraja”, disse.
Segundo Campêlo, áudios e vídeos das supostas ameaças já foram encaminhados ao Ministério Público de São Paulo e às forças de segurança responsáveis pela condução do caso. Vale lembrar que Melqui Galvão foi transferido recentemente do Amazonas para São Paulo, estado onde surgiu a primeira denúncia formal e onde corre a principal investigação.
Preso desde o fim de abril, Melqui é investigado por suspeita de crimes sexuais envolvendo ao menos três ex-alunas. A apuração teve início após o relato de uma adolescente de 17 anos, que afirmou ter sofrido atos sexuais sem consentimento durante uma viagem internacional para uma competição de Jiu-Jitsu. Desde então, novos relatos vieram à tona, ampliando a repercussão do caso dentro e fora do cenário da arte suave.
Além das investigações criminais, Melqui Galvão também foi afastado cautelarmente de suas funções como policial civil do Amazonas, onde atuava no setor de capacitação e ministrava treinamentos de defesa pessoal. O caso segue em andamento e continua mobilizando autoridades, atletas e entidades do esporte.


