Reportagem expõe tentativa de Melqui Galvão de coagir testemunhas com ligações feitas da prisão; confira

Cumprindo prisão temporária, Melqui Galvão tentou, de dentro da prisão, coagir e pressionar testemunhas (Foto: Reprodução)

O caso envolvendo Melqui Galvão ganhou um novo e grave desdobramento após a divulgação de uma reportagem exclusiva exibida pelo SBT na última terça-feira (12). Segundo a investigação, o professor de Jiu-Jitsu, atualmente cumprindo prisão temporária por acusações de crimes sexuais, teria utilizado um celular dentro da unidade prisional para realizar chamadas de áudio e vídeo com o objetivo de coagir e pressionar testemunhas, e interferir no andamento do processo.

De acordo com informações da Polícia Civil de São Paulo, Melqui Galvão teria feito contato com atletas ligados ao seu círculo para tentar enfraquecer a denúncia feita por uma adolescente de 17 anos. A jovem acusa o treinador de ter cometido abuso sexual durante uma competição de Jiu-Jitsu realizada na Itália, em fevereiro deste ano.

Nas gravações obtidas pelas autoridades, o investigado aparece orientando interlocutores a questionarem a credibilidade da denunciante e a produzirem material que pudesse fragilizar seu relato perante a Justiça. Em um dos trechos divulgados, Melqui afirma: “A gente precisa de alguma coisa da intimidade pra mostrar pra juíza que ela não é uma menina”, disse Melqui.

Em outra conversa, o treinador demonstra confiança em uma possível soltura e tenta mobilizar apoio para sua estratégia de defesa: “Minha prisão tem data pra sair. Em 30 dias eu estou solto”, declarou em uma das ligações, segundo a reportagem do programa “SBT Brasil”.

Confira abaixo a reportagem na íntegra:

A investigação também aponta que Melqui Galvão teria oferecido vantagens em troca de colaboração. Conforme revelado, ele prometeu apoio financeiro e auxílio na carreira esportiva a um atleta que aceitasse mentir em depoimento judicial e sustentar a narrativa de que a acusação seria falsa. Em uma das falas registradas, o professor afirma: “Eu vou te honrar se você me honrar”.

Outro ponto sensível revelado pelo material é a possível participação de familiares nas conversas. Segundo áudios encaminhados ao Ministério Público e à Polícia Civil, pessoas próximas ao treinador, incluindo sua esposa, Débora, e o filho, o multicampeão Mica Galvão, teriam participado de discussões relacionadas à logística para deslocar um atleta até Manaus, onde ele estava preso, com o intuito de prestar depoimento favorável.

Diante das novas evidências, a Polícia Civil do Amazonas abriu investigação para apurar como o celular entrou na cela. Em nota, a corporação informou que um policial foi afastado preventivamente. Segundo a reportagem, o agente seria Enoque Galvão, irmão de Melqui e também integrante da Polícia Civil do Amazonas.

O caso segue em investigação e amplia ainda mais a repercussão em torno de Melqui Galvão, que já responde a denúncias de crimes sexuais envolvendo múltiplas vítimas e acusações graves no ambiente esportivo. O professor de Jiu-Jitsu, vale ressaltar, foi transferido do Amazonas para São Paulo, onde segue cumprindo prisão temporária.

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