Outro lado da Luta: atuar bem já não é o suficiente. Por que investir na imagem se tornou parte da carreira dos atletas

Carol Brunacio defende que comunicação e presença digital podem abrir portas para patrocínios, lutas casadas e novas oportunidades (Foto: Reprodução/Instagram) Carol Brunacio defende que comunicação e presença digital podem abrir portas para patrocínios, lutas casadas e novas oportunidades (Foto: Reprodução/Instagram)

Durante muito tempo, bastava vencer campeonatos para conquistar reconhecimento dentro das artes marciais. Hoje, porém, a realidade é diferente. Em um cenário cada vez mais conectado, construir uma carreira sólida também passa pela forma como o atleta comunica sua trajetória ao público.

Esse foi um dos temas abordados pela faixa-preta Carol Brunácio em entrevista ao Recorte da Luta. Um dos principais nomes da nova geração do Jiu-Jitsu brasileiro, a atleta do UFC BJJ acredita que os resultados continuam sendo fundamentais, mas já não são suficientes para garantir visibilidade.

“Na faixa colorida eu fiz lutas muito boas, mas não tinha ninguém produzindo meu conteúdo. Depois eu ficava pensando: ‘Por que ninguém postou minha luta?’. Na verdade, ninguém tem obrigação de fazer isso. Hoje eu entendo que mostrar o nosso trabalho também faz parte da carreira”, afirmou.

A reflexão acompanha uma mudança percebida em praticamente todas as modalidades de combate. Se antes a construção da imagem dependia quase exclusivamente da cobertura da imprensa especializada, hoje os próprios atletas assumem um papel ativo na divulgação da própria carreira.

Redes sociais, vídeos de treinamento, bastidores, análises técnicas e conteúdos educativos passaram a fazer parte da rotina de competidores que buscam ampliar sua presença no mercado esportivo.

Segundo Carol Brunacio, investir em comunicação não significa apenas aumentar o número de seguidores, mas criar oportunidades que muitas vezes surgem fora do ambiente competitivo.

“Quando você mostra suas lutas, suas finalizações e o seu trabalho, isso pode aproximar patrocinadores, gerar convites para lutas casadas e até aumentar o interesse pelos cursos que você oferece.”

Essa mudança acompanha a própria evolução do mercado das artes marciais. Eventos profissionais, marcas esportivas e patrocinadores passaram a valorizar atletas que, além de resultados expressivos, conseguem dialogar com o público e fortalecer suas comunidades por meio da produção constante de conteúdo.

Para a atleta, essa construção exige disciplina semelhante à dos treinamentos: “Não adianta postar uma vez e desaparecer. É preciso ter consistência. Se você deixa de produzir conteúdo, as pessoas passam a acompanhar outra pessoa. Mesmo que seja mostrando uma posição ou um momento do treino, é importante manter essa conexão com quem acompanha o seu trabalho.”

Embora o desempenho esportivo continue sendo o principal ativo de qualquer competidor, Carol Brunacio acredita que aprender a comunicar a própria história deixou de ser um diferencial e passou a integrar a preparação profissional dos atletas.

Afinal, em um esporte cada vez mais competitivo dentro e fora dos tatames, construir uma carreira também significa saber mostrar ao mundo o caminho percorrido até cada conquista.

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