A história do grappling feminino terá um importante e inédito capítulo escrito nesta quinta-feira (8). Atual campeã peso-galo do UFC BJJ, a brasileira Cássia Moura subirá ao “bowl” da organização, em Las Vegas (EUA), para enfrentar Adele Fornarino pela grande final do GP peso-mosca.
O confronto no UFC BJJ 12, que marca a primeira luta principal feminina na história da organização, pode transformar Cássia na primeira atleta a ostentar simultaneamente dois cinturões na franquia. Em entrevista ao “Recorte da Luta”, a lutadora de apenas 20 anos detalhou o clima de sua reta final de preparação para o embate.
“Os treinos estão sendo ótimos. Nesse momento eu não estou tendo ajuda da Rebeca (Lima), porque ela está com uma lesão, mas a Thaynara Victória e a Carol Brunacio estão aqui fazendo o camp delas também e me ajudando. Além delas, eu também tenho um grupo de amigos que sempre me auxilia, então eu vejo que esse camp está sendo excelente e eles estão me deixando pronta para essa batalha”, destacou a carioca.

O status de estrela principal do evento, no entanto, foi construído passo a passo. Relembrando sua trajetória desde que ingressou na organização, Cássia Moura apontou o momento exato em que percebeu a mudança de patamar na sua carreira. Para a brasileira, o choque de estilos e a entrega constante no tatame foram fundamentais para que o UFC BJJ enxergasse o seu real potencial como um grande nome do esporte.
“Quando eu entrei na plataforma do UFC, não tinha o UFC BJJ ainda, então eu não imaginava que poderia ser campeã do UFC ou dupla campeã. Mas quando lutei no primeiro UFC, contra a Talita Alencar, dali eu já fui enfrentando as melhores e eu vi que o UFC me adorou, gostou do estilo de luta que eu entrego, sempre busco entregar um show. Então, eu vi que aquilo foi uma virada de chave e eu percebi que eu poderia, sim, ser a campeã do UFC e também uma dupla campeã, a primeira do mundo a ser dupla campeã no UFC BJJ”, exaltou.
Além da consagração pessoal com um possível duplo título, o duelo no UFC BJJ 12 carrega um peso enorme para as mulheres nas artes marciais. Liderar o card do evento norte-americano é um marco que Cássia Moura enxerga como uma vitória coletiva, sendo o reflexo do esforço de toda uma geração de lutadoras que vêm elevando o nível técnico da modalidade no cenário mundial.
“Eu acredito que conquistei isso com o meu trabalho e a Adele com o dela também. Somos duas das melhores do mundo, então acredito que a gente merece, sim, estar no topo, e ser a primeira luta principal feminina da história do UFC BJJ é extraordinário, porque não estaremos lutando apenas pela gente, mas sim por todas as mulheres. O UFC BJJ está fazendo um excelente trabalho, colocando as mulheres em um nível altíssimo. A minha briga não é apenas pela representatividade do Jiu-Jitsu feminino, mas do Jiu-Jitsu como um todo”, reforçou.

Por trás da atleta confiante e vitoriosa, existe uma base sólida construída também longe do Brasil. Cássia Moura fez questão de exaltar o laço afetivo e profissional com seu treinador, Bruno Bastos. A parceria, que começou quando a lutadora tinha apenas 17 anos e se mudou para Midland, no Texas (EUA), transcende o tatame e se transformou em uma verdadeira relação familiar, aspecto que ela considera fundamental para o seu sucesso na elite do esporte.
“Eu tenho o Bruno como uma figura paterna. Para quem não sabe, eu nunca tive um pai presente, então quando ele me acolheu, quando eu tinha 17 anos, eu vi que era aquilo que eu precisava para me fazer sentir bem, para eu ser a melhor do mundo. Se uniu tudo muito bem, ele como empresário, treinador e figura paterna, e eu saber diferenciar cada um deles é importante, porque às vezes é necessário separar cada coisa. É muito importante estar com ele, porque me sinto segura, privilegiada e sortuda tendo um pai mesmo depois da minha infância. Me sinto muito grata por tudo que ele fez por mim, então com certeza é algo que vai além do Jiu-Jitsu, é o privilégio e a gratidão de tê-lo em minha vida, porque não é todo mundo que abraça uma pessoa e eu tenho consciência disso. Sou muito grata por ele e pela família dele, eu acredito que tenho duas famílias. Eu tenho uma família no Brasil e outra aqui nos EUA. Eu me sinto completa e pronta para qualquer combate”, concluiu.


