Meu nome é Saverio Scarpati e começo hoje uma nova etapa da minha trajetória profissional: dividir, aqui, o que aprendi ao longo de quase três décadas empreendendo, organizando eventos e vivendo o universo das lutas por dentro.
Tenho 48 anos, sou empresário, atuei por muitos anos no setor da construção civil, participei de abertura e estruturação de empresas e aprendi, na prática, o que significa tirar um projeto do papel, organizar equipe, lidar com risco, negociar com o poder público e com a iniciativa privada. Paralelamente, sempre fui homem de tatame e de roda: sou corda preta de capoeira e faixa preta de jiu-jítsu. O esporte nunca foi hobby. Sempre foi formação. Foi ali que desenvolvi disciplina, leitura de ambiente, estratégia e capacidade de decisão sob pressão – habilidades que depois levei para o mundo empresarial.
Sempre vivi entre o planejamento e a execução. Aprendi a administrar na prática, resolvendo problema, fechando contrato, montando time e tomando decisão quando o cenário não era ideal. E aprendi no jogo também – entendendo que estratégia, leitura de ambiente e preparo fazem toda a diferença. Essa mistura de experiência empresarial com vivência no “ringue” é o que define a forma como eu penso o esporte hoje.
Desde 2022 estou à frente do Volta ao Mundo Bambas (VMB), projeto que nasceu com a missão de reorganizar a capoeira competitiva e que, em quase quatro anos, estruturou circuito de eventos no Brasil e no exterior, realizou competições em grandes arenas, distribuiu mais de meio milhão de reais em premiação, conquistou contratos de transmissão com TVs abertas e fechadas (Canal Combate é uma delas) e ajudou a criar um ambiente em que atletas passaram a atrair patrocínio. Mas o que mais me interessa não é o palco – é o processo. É entender como se constrói um ecossistema sólido para que o espetáculo aconteça.
Ao longo das próximas colunas, quero falar sobre gestão no esporte de luta. Sobre como criar calendário consistente. Como expandir uma marca por meio de eventos parceiros e circuitos regionais. Como organizar competição com segurança jurídica, financeira e operacional. Como estruturar bastidores para que não haja improviso nem problema. Como dialogar com marcas e com o poder público sem perder identidade. E, principalmente, como ajudar atletas para que entendam que carreira também é estratégia.
Também pretendo abordar temas que muitas vezes ficam invisíveis para quem só vê o evento pronto: formação de equipe técnica, padronização de regras, governança, construção de reputação, relacionamento institucional e internacionalização. Um projeto de luta não cresce apenas pela paixão — cresce quando existe método.
A luta, seja na capoeira, no jiu-jítsu ou em qualquer modalidade, precisa de organização. Precisa de visão de longo prazo e ação diária. Precisa de gente que entenda que evento não é apenas o dia da competição — é planejamento, relacionamento, gestão de risco, comunicação e continuidade.
Escrevo aqui como alguém que vive o esporte e também vive o negócio. Como alguém que já errou, ajustou rota e aprendeu fazendo. Minha proposta é compartilhar essa visão 360 – de atleta, de gestor e de organizador – para contribuir com quem quer profissionalizar projetos, fortalecer modalidades e transformar paixão em estrutura.
Vamos conversar sobre luta, sim. Mas, principalmente, sobre gestão.

