Quinze anos depois de se enfrentarem no ADCC 2011, André Galvão e Rousimar “Toquinho” Palhares voltarão a dividir a área de combate. O reencontro acontecerá no ACBJJ 23, marcado para acontecer no próximo dia 13 de novembro, no Rio de Janeiro, colocando frente a frente dois nomes de destaque da história do Jiu-Jitsu e do grappling.
Em entrevista exclusiva ao “Recorte da Luta”, Galvão falou sobre a preparação para o confronto, as mudanças em seu jogo ao longo dos últimos anos e os desafios de enfrentar um adversário reconhecido mundialmente pela eficiência nas finalizações, especialmente nos ataques às pernas.
Para o multicampeão, a experiência acumulada desde o primeiro encontro representa uma das principais diferenças em sua abordagem competitiva.
“Muita coisa mudou nesses 15 anos, principalmente minha maturidade como atleta. Hoje tenho uma leitura de luta muito mais apurada, sou mais estratégico e entendo melhor como administrar cada situação dentro de um combate”, afirmou.
André Galvão destacou que seu estilo continua fundamentado na pressão, no controle e na movimentação, mas considera que passou a utilizar essas ferramentas com maior eficiência. Apesar de reconhecer a importância histórica do confronto de 2011, o atleta descarta utilizar aquela luta como referência determinante para o novo duelo.
“Aquela luta de 2011 faz parte da nossa história, mas não determina o que vai acontecer agora. Somos dois atletas diferentes, com muito mais experiência. Respeito muito o Toquinho, mas estou me preparando para enfrentar o atleta que ele é hoje, não aquele de 15 anos atrás”, destacou.
O jogo de Toquinho, especialmente sua capacidade de encontrar oportunidades de finalização nas pernas, aparece entre os principais pontos de atenção na preparação de Galvão.
“O Toquinho é um dos maiores especialistas em ataques às pernas que o Jiu-Jitsu já teve. Ele tem uma capacidade impressionante de encontrar finalizações em situações nas quais muitos atletas não enxergam perigo”, analisou.

Segundo André, controle de distância, postura, equilíbrio e antecipação serão aspectos fundamentais para reduzir os riscos durante o combate. Entretanto, ele ressalta que a estratégia não pode ficar limitada à defesa.
“Tenho meu próprio jogo, minhas armas e minha estratégia. Respeitar o perigo do adversário é fundamental. Ter medo dele é outra história. Vou entrar atento, preparado e, principalmente, buscando impor meu Jiu-Jitsu.”
Outro elemento destacado pelo atleta é o regulamento do ACBJJ, que permite golpes no corpo e acrescenta uma dinâmica diferente à disputa. Na avaliação de Galvão, essa característica exige adaptações técnicas e estratégicas.
Aos 44 anos e com mais de três décadas dedicadas ao esporte, André também vê o confronto como uma oportunidade de demonstrar que sua motivação competitiva permanece presente.
“Não estou voltando para viver do passado ou apenas celebrar minha história. Estou competindo porque ainda amo o desafio, a preparação, a adrenalina e a busca pela vitória”, reforçou o multicampeão.
Para Galvão, o reencontro com Rousimar Toquinho representa mais do que a retomada de uma rivalidade iniciada em 2011. É a oportunidade de testar sua evolução diante de um adversário experiente, em um formato que impõe exigências específicas aos dois competidores.
“O André Galvão de 2011 fez história. O André Galvão de 2026 ainda tem muita coisa para mostrar! E uma coisa é certa: estou levando esse desafio muito a sério”, concluiu.


