A derrota de José Aldo para Conor McGregor no UFC 194, em dezembro de 2015, continua sendo um dos episódios mais marcantes da história do MMA. Quase 11 anos depois, o brasileiro revelou que as lágrimas derramadas após o nocaute sofrido em apenas 13 segundos não foram motivadas simplesmente pela perda do cinturão dos pesos-penas. Em participação no podcast “Mundo da Luta”, o manauara explicou que o principal motivo de sua frustração foi perceber que dificilmente teria uma nova oportunidade de enfrentar o irlandês.
Na época, Aldo acreditava que sua trajetória dominante na categoria e o histórico como campeão lhe garantiriam uma revanche imediata. Essa expectativa, porém, foi frustrada por uma conversa com Dana White, presidente do UFC, logo após o combate. Segundo o brasileiro, o dirigente informou que McGregor não pretendia continuar competindo entre os penas, pois enfrentava dificuldades para atingir o limite de peso da divisão.
“Eu choro muito porque, na minha cabeça, depois que eu perdi, eu penso: ‘Vai ter uma revanche porque eu era um campeão dominante’. Até então era o primeiro e único campeão peso-pena da história, então na minha cabeça: ‘Ah, vai ter revanche, eu vou lutar com ele de novo, vai ser uma nova história’. Só que quando o Dana chega e fala para mim que o Conor não consegue mais bater o peso, ele não tem mais essa luta para fazer, entendeu? Que ele ia subir pro leve, porque ele não aguentava mais bater o peso-pena, que era a última vez que ele estava batendo, se ele ganhasse ou perdesse. Por isso que eu chorava. Todo mundo acha que eu estou chorando pelo fato de eu ter perdido. Não, eu estou chorando porque eu sabia que a gente não ia lutar mais. Não tinha como eu recuperar essa derrota“, explicou o brasileiro.
José Aldo teve de lidar com o fim da rivalidade
A declaração ajuda a compreender o peso emocional daquele resultado para o manauara. Mais do que perder o título, Aldo viu desaparecer a possibilidade de corrigir o desfecho de uma luta que durou apenas alguns segundos. Com McGregor projetando sua mudança para os leves, o ex-campeão passou a conviver com a perspectiva de que não teria a chance de dar uma resposta dentro do octógono.
Apesar do revés, a carreira de Aldo não terminou naquele momento. O brasileiro voltou a conquistar o cinturão interino dos penas em 2016, foi posteriormente reconhecido como campeão linear após a saída de McGregor da divisão e continuou construindo uma trajetória histórica no esporte. Em 2023, teve seu nome eternizado no Hall da Fama do UFC.
Mesmo com as conquistas posteriores, a derrota para McGregor permanece como um capítulo singular na carreira do “Rei do Rio”. Agora, ao explicar o verdadeiro motivo de seu choro, Aldo deixa claro que a dor não estava restrita ao resultado negativo, mas também à certeza de que talvez nunca pudesse enfrentar novamente o rival e tentar reverter aquela história.

