Em relatos inéditos, vítimas mostram detalhes das acusações feitas contra Melqui Galvão e citam ameaças e abusos

Reportagem exibida pelo "Fantástico", programa da TV Globo, mostrou novos detalhes das denúncias formalizadas contra o professor Melqui Galvão (Foto: Reprodução/Instagram)

Exibido no último domingo (3), o programa “Fantástico”, da TV Globo, trouxe novos desdobramentos sobre o caso envolvendo a prisão do professor de Jiu-Jitsu Melqui Galvão. Uma reportagem mostrou relatos inéditos sobre as denúncias de manipulação, ameaça e abuso sexual de menores, que levaram o professor a ser preso.

Uma das vítimas, ainda adolescente, relatou que havia entrado na equipe há pouco tempo quando viajou com Melqui Galvão para uma competição no exterior. De acordo com relato, o professor teria oferecido um remédio para que ela “relaxasse” antes do torneio. Depois de tomar a substância e dormir, a vítima contou que acordou com Melqui tocando em seu corpo.

“Ele colocou a mão dentro da minha blusa e foi a hora que eu acordei. Foi o momento de eu tirar a mão dele dentro da minha blusa, mas eu fiquei com muito medo ali na hora e eu acordei num susto”, disse.

Em uma outra denúncia, feita por uma ex-aluna, a vítima diz que começou a treinar com Melqui Galvão quando ainda era criança e que os assédios teriam começado quando ela tinha apenas 12 anos. De acordo com seu depoimento, dois anos depois, o treinador teria mantido relação sexual com ela. A vítima afirmou que, na época, tinha medo de formalizar denúncia contra o professor: “Ele sempre quis passar para mim que era uma situação muito normal, que ele já tinha relações com outros alunos”, contou.

Também menor de idade, a terceira vítima afirmou que não sofreu abuso sexual, mas revelou que Melqui fazia restrições à alimentação das atletas e dava a entender que certas “vantagens” só aconteceriam em troca de aproximações.

Confira abaixo a matéria exibida pelo “Fantástico”:

Polícia conclui suposto “padrão” adotado pelo professor

A polícia relatou que, após a prisão temporária de Melqui Galvão, novas denúncias informais surgiram, sinalizando um possível padrão de comportamento e conduta ao longo dos anos. As novas denúncias também sugerem que o professor de Jiu-Jitsu utilizava sua ocupação de policial civil para, supostamente, intimidar e manipular as vítimas.

“A gente percebe a existência de um padrão de conduta que consiste em uma aproximação inicial devido à figura de líder, de um atleta renomado. Ele ganha a confiança da vítima e da família. Aí vai escalonando as condutas até chegar aos abusos. Uma das vítimas mencionou que ele falou claramente que se ela fizesse a denúncia, ele saberia porque ele é policial civil”, afirmou a delegada Mariene Andrade.

Melqui Galvão está cumprindo prisão temporária em Manaus enquanto o caso segue sendo investigado pelas autoridades (Foto: Reprodução)

Vale ressaltar que, segundo informações da Polícia Civil, três ex-alunas realizaram denúncias contra Melqui Galvão. Com isso, a Justiça de São Paulo decretou a prisão temporária do professor de Jiu-Jitsu após indícios de que ele estaria tentando atrapalhar as investigações. Melqui responde por crimes como importunação sexual, estupro de vulnerável, invasão de dispositivo informático e ameaça.

A prisão de Melqui Galvão ocorreu em Manaus, onde ele atua como policial civil. Em comunicado recente, a defesa do treinador afirmou que ele é inocente e que ainda não teve acesso à íntegra dos materiais que foram apresentados, salientando que o cliente está à disposição das autoridades.

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