A faixa-preta Brenda Larissa tornou público, na noite da última segunda-feira (4), um novo relato envolvendo acusações de abusos sexuais contra Melqui Galvão. Em vídeo publicado em sua conta oficial no Instagram, a atleta afirmou ter sido vítima do treinador e detalhou episódios que, segundo ela, teriam ocorrido ao longo de 14 anos.
Na gravação, com cerca de 20 minutos de duração, Brenda Larissa relatou experiências de abuso e manipulação psicológica que teriam começado ainda na infância, quando iniciou no Jiu-Jitsu aos 12 anos, em Manaus, dentro do projeto comandado por Melqui Galvão.
“Hoje eu estou aqui com vocês para compartilhar um pouco dos 14 anos de tortura que eu passei na mão do meu abusador”, declarou a atleta no início do vídeo.
Brenda, que construiu carreira de destaque na modalidade e acumula títulos importantes no cenário competitivo, afirmou ainda que sua irmã também teria sido vítima e que ambas já prestaram depoimento às autoridades em Manaus. Segundo o relato, mesmo após se afastar da equipe, ela continuou enfrentando consequências emocionais e psicológicas por anos.
Brenda Larissa declarou que sofreu um processo contínuo de manipulação, intimidação e pressão psicológica, com o objetivo de mantê-la em silêncio e impedir qualquer denúncia pública ou formal.
Confira abaixo o vídeo publicado por Brenda Larissa na íntegra:
O caso amplia ainda mais a série de acusações contra Melqui Galvão, preso na semana passada após investigações relacionadas a denúncias de crimes sexuais. A primeira denúncia formalizada partiu de uma atleta de 17 anos, que relatou ter sofrido abuso sexual durante uma viagem para uma competição de Jiu-Jitsu realizada na Itália, em fevereiro.
A prisão temporária do treinador foi decretada pela Justiça de São Paulo, uma vez que a denunciante reside na capital paulista. Melqui foi localizado e preso em Manaus, onde também atua como policial civil, e aguarda possível transferência para unidade prisional em São Paulo.

Além da atuação esportiva, Melqui mantinha operações profissionais em diferentes estados. Embora recebesse salário como policial no Amazonas, residia em Jundiaí, interior paulista, cidade onde comandava uma de suas academias.
Com o novo depoimento de Brenda Larissa, sobe para ao menos quatro o número de atletas que vieram a público ou formalizaram relatos de abusos atribuídos ao treinador. O avanço das denúncias vem gerando forte repercussão no universo do Jiu-Jitsu e intensificando debates sobre relações de poder, proteção de menores e protocolos de segurança dentro do esporte.

