Em meio à repercussão das denúncias de crimes sexuais envolvendo Melqui Galvão, o faixa-preta e campeão mundial Thalison Soares utilizou suas redes sociais para comentar o caso e defender o acolhimento às vítimas. A manifestação aconteceu por meio de vídeos publicados em seu perfil oficial no Instagram, nos quais o atleta destacou a importância de romper o silêncio diante de situações cada vez mais recorrentes de abuso sexual dentro do ambiente do Jiu-Jitsu.
O posicionamento de Thalison Soares teve forte repercussão por também estar ligado à sua própria trajetória. O atleta já revelou publicamente ter sido vítima de abuso sexual na infância envolvendo o professor Alcenor Alves, preso desde 2024 e alvo de investigação. Na ocasião, outros nomes relevantes do Jiu-Jitsu também prestaram depoimento às autoridades, entre eles Matheus Gabriel, Meyram Maquine, Lucas Carvalho e Ary Farias.
Ao comentar o cenário atual, Thalison fez um alerta sobre o impacto do silêncio e da descredibilização de vítimas, criticando comportamentos que relativizam ou ridicularizam denúncias.
“O seu silêncio apenas beneficia a pessoa que cometeu o crime. E quem tenta calar, minimizar e zombar, também é parte do problema”, disse Thalison Soares em um dos trechos do vídeo.
Na sequência, o faixa-preta voltou a citar sua experiência pessoal e afirmou conhecer algumas das pessoas envolvidas nos relatos atuais do caso do professor Melqui Galvão, reforçando a necessidade de respeito ao processo de investigação e acolhimento às denunciantes.
“Quando eu era criança, fui abusado pelo Alcenor. (…) Eu conheci também a maioria das vítimas do Melqui (Galvão) (…) Pessoas como você que questionam a vítima, são as mesmas que fazem elas ficarem caladas e não denunciarem. Deixem a Justiça cumprir seu papel”, complementou.
A declaração do atleta ampliou o debate sobre a dificuldade enfrentada por vítimas para denunciar situações de abuso sexual, especialmente em ambientes marcados por relações hierárquicas fortes, como equipes esportivas de alto rendimento.
Melqui Galvão foi preso temporariamente na última semana após investigações relacionadas a denúncias de crimes sexuais. A primeira denúncia formalizada partiu de uma atleta de 17 anos, que relatou ter sofrido violência durante uma viagem para uma competição de Jiu-Jitsu realizada na Itália, em fevereiro.
A ordem de prisão foi expedida pela Justiça de São Paulo, já que a denunciante reside na capital paulista. Melqui foi localizado em Manaus, onde também atua como policial civil, e segue à disposição da Justiça enquanto aguarda possível transferência para um presídio em São Paulo.

O caso segue em investigação e tem provocado forte mobilização na comunidade da arte suave, impulsionando discussões sobre segurança, protocolos de proteção e responsabilidade institucional dentro do Jiu-Jitsu competitivo.

