O Jiu-Jitsu tem sido cada vez mais apontado como uma ferramenta importante no desenvolvimento físico e emocional de crianças e adolescentes. Muito além da formação esportiva, a arte suave oferece recursos que auxiliam no fortalecimento da autoestima, no controle emocional, na disciplina e na capacidade de lidar com conflitos interpessoais – fatores diretamente ligados à prevenção e ao enfrentamento de casos de bullying no ambiente escolar.
Durante participação no podcast Recorte da Luta, os faixas-pretas Glaucius Marques e Pedro Souza, sócios da academia De La Riva Jardim Guanabara, localizada na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, discutiram como a prática da arte suave pode impactar positivamente a rotina de jovens praticantes. Para ambos, inserir crianças no esporte desde cedo pode representar uma mudança importante na construção de confiança e segurança emocional.
Ao abordar o tema, Glaucius Marques destacou que situações de bullying são mais comuns do que muitos pais imaginam e defendeu que o contato com o Jiu-Jitsu deve acontecer ainda na infância, como ferramenta preventiva e formativa.
“Teve uma vez que um menino falou lá na academia para nossa professora: ‘tia, estou sofrendo bullying’. E aí ela perguntou: ‘Alguém está sofrendo bullying na escola?’. Cara, levantaram a mão uns seis alunos. Mas você pode ter o mais grave, pode ter uma criança prestes a fazer uma besteira. Então, é necessário (fazer Jiu-Jitsu). Tem aquela frase, acho que é do Renzo Gracie, que diz: ‘Todo pai deveria colocar seu filho no Jiu-Jitsu’. Eu costumo dizer que é tão bom que eu coloco meu filho. Se fosse ruim, eu não colocaria meu filho para treinar. É o exemplo que eu dou. Desde pequeno meu filho treinou. A filha do Pedro é faixa-preta, ele colocou desde novinha”, disse Glaucius Marques.
A declaração reforça um entendimento cada vez mais presente entre professores e especialistas da modalidade: o Jiu-Jitsu não atua apenas na autodefesa, mas também no desenvolvimento de competências socioemocionais. A rotina de treinos, o respeito à hierarquia, a convivência em grupo e a superação de desafios ajudam crianças a construírem maior resiliência e senso de pertencimento.
Na sequência, Pedro Souza complementou a análise ao destacar que a realidade vivida por crianças e adolescentes muitas vezes foge da percepção dos adultos, tornando ainda mais importante oferecer ferramentas que contribuam para a formação pessoal: “A vida da criança e do adolescente é muito diferente do que a gente projeta para ela. Mas considero que a prática do Jiu-Jitsu é fundamental para as crianças”, afirmou.
À frente da De La Riva Jardim Guanabara, Glaucius Marques e Pedro Souza vêm reforçando essa filosofia dentro e fora dos tatames, defendendo o Jiu-Jitsu como instrumento de transformação social e desenvolvimento humano. Em um cenário no qual questões como bullying, ansiedade e isolamento entre jovens ganham atenção crescente, a arte suave segue consolidando seu papel como aliada importante na formação de novas gerações.

