Lívia Barasine cita atletas que tentaram convencê-la a não denunciar Melqui Galvão: ‘Me silenciar de todos os jeitos’

Em vídeo publicado nas redes sociais, Lívia Barasine cita os faixas-pretas Ana Rodrigues e Diego Sodré como pessoas que tentaram coagi-la a não denunciar Melqui Galvão (Foto: Reprodução/Instagram) Em vídeo publicado nas redes sociais, Lívia Barasine cita os faixas-pretas Ana Rodrigues e Diego Sodré como pessoas que tentaram coagi-la a não denunciar Melqui Galvão (Foto: Reprodução/Instagram)

As repercussões envolvendo as denúncias contra Melqui Galvão de crimes sexuais seguem crescendo dentro da comunidade do Jiu-Jitsu. Na última quinta-feira (14), a faixa-marrom Lívia Barasine, uma das principais denunciantes do caso, utilizou suas redes sociais para compartilhar um novo relato sobre os bastidores do período entre o ocorrido e a formalização da denúncia.

Segundo a atleta, além do trauma relacionado ao episódio de abuso sexual denunciado contra Melqui Galvão, ela também enfrentou tentativas de desestímulo e pressão para não levar o caso às autoridades. Em vídeo publicado em seu perfil, Lívia afirmou que, entre fevereiro – período em que o caso teria ocorrido – e o fim de março, quando oficializou a denúncia, algumas pessoas próximas ao ambiente esportivo teriam tentado convencê-la a permanecer em silêncio.

Entre os nomes mencionados, Lívia citou publicamente a faixa-preta Ana Rodrigues. De acordo com seu relato, a atleta não teria oferecido o acolhimento esperado em um momento decisivo, apesar de ser reconhecida no cenário do Jiu-Jitsu por seu posicionamento frequente em defesa de pautas femininas e proteção às mulheres no esporte.

A declaração chamou atenção justamente pela imagem pública de Ana dentro da modalidade. Segundo Lívia, havia uma expectativa natural de apoio por parte de alguém que ocupa posição de referência para muitas atletas e mulheres no meio competitivo.

Além disso, Lívia também mencionou Diego Sodré, namorado de Ana Rodrigues e também faixa-preta, afirmando que ele teria participado de tentativas de convencê-la a não formalizar a denúncia contra Melqui Galvão.

A male and female athlete posing together, both flexing their arm muscles. They are dressed in UFC BJJ training gear, with the male wearing a shirt and the female wearing a crop top. The setting appears to be a training room with a simple backdrop.
Diego Sodré e Ana Rodrigues foram citados por Lívia Barasine ao longo do vídeo (Foto: Reprodução)

As novas declarações ampliam ainda mais o debate sobre responsabilidade coletiva, acolhimento e proteção de atletas em ambientes esportivos. O caso, que inicialmente girava apenas em torno das acusações contra Melqui, agora também levanta discussões sobre a postura de pessoas próximas aos envolvidos e a dificuldade enfrentada por vítimas ao decidirem denunciar situações graves dentro do esporte.

As investigações envolvendo Melqui Galvão seguem em andamento, enquanto novos relatos e desdobramentos continuam impactando diretamente o cenário do Jiu-Jitsu nacional. O professor atualmente está cumprindo prisão temporária em São Paulo.

Reportagem exibida pelo "Fantástico", programa da TV Globo, mostrou novos detalhes das denúncias formalizadas contra o professor Melqui Galvão (Foto: Reprodução/Instagram)

Confira abaixo o depoimento de Lívia Barasine na íntegra:

“Hoje vim agradecer a todas as pessoas que estão me apoiando, colocando todo o carinho delas através das mensagens. Para mim, foi uma das lutas mais difíceis que eu já ganhei em toda minha carreira, que foi denunciar o meu agressor.

Eu precisei encontrar forças onde eu imaginava que nem existiam dentro de mim, mas o que me deu força para tudo isso foi que eu denunciando, falando, poderia dar força às outras vítimas que também passaram por tudo isso na mão desse agressor. Não foi fácil para mim e, muitas vezes, eu pensei em me calar, em desistir.

Eu tive muito medo depois que tudo isso aconteceu. Eu nunca mais consegui voltar para a academia, nunca mais voltei a pisar lá (na BJJ College). Eu sentia que tinha perdido o meu lugar de treino, o lugar onde eu me sentia segura para treinar. Eu estava me sentindo muito sozinha, triste e fragilizada por tudo o que aconteceu.

Eu confiei em pessoas que agora eu sei que não deveria ter confiado. Eu confiei em uma mulher que, publicamente, diz ser a protetora das mulheres, que é contra assédio, contra abuso, que é a Ana Rodrigues. Ela me convidou para ir para Las Vegas para ajudá-la na preparação do UFC BJJ. Depois desse convite, eu achei que finalmente tinha encontrado alguém que ia me proteger, que ia me incentivar a denunciar o meu agressor.

Em Las Vegas, eu contei tudo o que tinha acontecido, como foi e onde a gente estava, tudo sobre o ocorrido. Achei que tinha encontrado alguém que ia me ajudar. O namorado dela também estava, o Diego Sodré. Os dois estavam me incentivando a voltar para a academia do meu agressor, e ali eu vi que confiei em pessoas que eu não deveria ter confiado.

Eles insistiam muito para que eu não denunciasse e que eu voltasse para a academia do meu agressor. Eles tentaram de todos os jeitos. Falaram sobre eventos que eu poderia lutar se eu não denunciasse, e hoje eu entendo que aquilo não era um convite para me ajudar ou me acolher, eles estavam tentando me silenciar de todos os jeitos.

Eu cheguei até a pensar em parar de treinar Jiu-Jitsu, em desistir dos meus sonhos, mas graças às mulheres incríveis que estiveram comigo, que me incentivaram e me acolheram de verdade, eu tive mais forças para denunciar o meu agressor. Hoje eu quero dizer para todas as vítimas que vocês não estão sozinhas, assim como eu e a Brenda (Larissa), entendemos que o silêncio só protege o abusador.

Também quero agradecer aos meus pais, que estiveram comigo desde o começo. A uma mulher incrível que eu encontrei na minha vida, a doutora Helen, a doutora Mariene, a doutora Mayara e a deputada Alessandra, que realmente me acolheram e me incentivaram a denunciar o meu agressor.

Existe vida depois do medo. Existem muitas pessoas que estão dispostas a ajudar você de verdade. E deixo aqui o meu recado para todas as vítimas do meu agressor: procurem as autoridades, falem, denunciem, mas nunca se calem. Não vão nos calar.”

Faixa-marrom de Jiu-Jitsu, Lívia Barasine fez um forte relato onde cita Melqui Galvão em episódios de abuso sexual e pressão psicológica (Foto: Reprodução/Instagram)

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